Hel - "A Senhora do Mundo Subterrâneo"

julho 28, 2017
Hel
Hel era a regente nórdica do reino subterrâneo, a senhora do mundo dos mortes e do além (Nifelhel), cujo nome foi usado pelos cristãos como Inferno. Mas o real significado de seu nome é "aquela que esconde o cobre", pois e, seu reino, formado por nove círculos, ficavam as almas daqueles que faleciam de velhice ou doenças. Os que morriam de maneira heróica eram levados pelas Valquírias para os salões de Freyja e de Odin, as moças solteiras iam para Gefjon e os afogados para AEgir e Ran.

Hel era filha da giganta Angrboda e do deus Loki, irmã dos monstros Jormungand e Fenrir. Aparecia como uma mulher metade branca, metade preta e metade viva, metade morta. Sua morada era um palácio sombrio e gelado, chamado Elviner (miséria), onde ela se alimentava de um prato chamado "fome", usando um garfo denominado "penúria", servida por seus auxiliares "Senilidade" e "Decrepitude", e defendida pelo cão infernal Garm. O caminho que levava sua morada, chamado "provação", atravessava o "rio dos ecos", Gjoll, guardado pela giganta Mordgud, e passava pela "Floresta de Ferro", com árvores metálicas cujas folhas cortavam como punhais. A cidade de Hel, Valgrind, era povoada por Trolls, encarregados de levar os inimigos das divindades para serem "cozidos" no borbulhante caldeirão Hvergelmir. Perto desse caldeirão e da fonte que o alimentava, encontrava-se a raiz "infernal" de Yggdrasil e escondia-se o dragão Ndhogg, que a roía sem cessar. 

Hel e Garm
Hel tem um pássaro vermelho-escuro que irá anunciar, com seu canto, o início do Ragnarok, quando ela ajudará seu pai, Loki, a destruir as divindades AEsir. Porém, Hel também morrerá depois do Ragnarok, junto com as deusas Bil e Sol.

Hel aparecia cavalgando uma égua de três patas e quando visitava Midgard (Planeta Terra) espalhava fome, miséria e doenças (segundo a interpretação cristã das pragas, originadas pelas guerras e epidemias). Apesar dessa recente descrição sombria, o antigo significado do reino de Hel era o mundo subterrâneo da tradição xamânica, para onde se podia chegar pelo transe profundo, a projeção astral ou o uso de plantas alucinógenas. Quando as Volvas e os Xamãs iam "visitar" seu reino, eles usavam uma máscara mágica (representando sua fylgja ou animal de poder), ou um manto astral (helkappe) que os tornasse "invisíveis" e os protegesse em seu deslocamento pela "realidade não comum" (xamânica).

Hel representa a Lua Negra, a face escura da Deusa, a Ceifadora, a Mãe Devoradora, o aspecto sombrio de Frigga, enquanto Nifelhel simboliza a parte profunda do inconsciente, a sombra, a sede dos conflitos, dos traumas e das fobias. Halja era o termo nórdico para "limbo", o plano sutil onde as almas esperavam a vez para encarnar, transformado pela igreja cristã em um lugar de danação e expiação. 

ELEMENTOS: terra, lama, gelo.
ANIMAIS TOTÊMICOS: corvo, égua preta, pássaro vermelho, cão, serpente.
CORES: preto, branco, cinza, vermelho.
ÁRVORES: azevinho, amoreira preta, teixo.
PLANTAS: cogumelos sagrados, meimendro, mandrágora.
PEDRAS: ônix, azeviche, quartzo enfumaçado, fósseis.
DIA DA SEMANA: sábado.
SÍMBOLOS: foice, clepsidra, caldeirão, ponte, portal, espiral de novo voltas, jornada xamânica, máscara de animais, manto com capuz, xale, gruta, ancestrais, ossos, morte e transformação, o planeta Saturno, a "Caça Selvagem", a lua negra e nova. 
RUNAS: Wunjo, Hagalaz, Naudhiz, Isa, Eihwaz.
RITUAIS: último rito de passagem (morte, vigília, funerais), auxílio nas doenças, despedidas, perdas, finalizações, lua negra, culto dos ancestrais, viagens xamânicas para o "mundo subterrâneo", trabalhos mágicos com "a sombra", terapia de regressão de memória, transe oracular, necromancia.
PALAVRAS-CHAVE: desapego, libertação. 

Hel, Jormungand e Fenrir

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